Cálculo (Volume 1)/Análise de funções elementares (1)

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Wikiversidade - Disciplina: Cálculo I

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O estudo das funções deste capítulo refere-se às funções não puramente algébricas, relacionadas a números transcendentais, algumas das quais já conhecemos da matemática elementar, porém é necessário um aprofundamento do tema para o ambiente acadêmico, onde temos que lidar com análises mais detalhadas e complexas.

Logarítmicas

A integral da função algébrica f(x)=xn traz uma indefinição quando n=−1:

∫xndx=xn+1n+1;n≠−1

A existência desta indefinição nos leva a uma questão: Qual o procedimento para integrar a função: f(x)=1x? A resposta é dada na análise numérica, calculando a integral pelos métodos de análise algébrica podemos chegar a seguinte conclusão:

∫1x1tdt=ln⁡|x|

A função ln é chamada de logaritmo natural, a sua base é chamada de [[../Análise de funções elementares (1)#O número de Euler|número de Euler]], ele é um logarítmo conseqüente do cálculo da área sob a curva da função f(x)=1x, que pode ser obtido numericamente usando a integral de Riemann e outras técnicas de cálculo numérico. Aproximações deste número são possíveis utilizando-se técnicas de aproximações sucessivas com o uso de séries, discutidas em Cálculo (Volume 3).

Todos os teoremas para logaritmos, que estão incluidos nos cursos de nível médio, podem ser obtidos a partir da análise do logaritmo natural, também chamado de logaritmo Neperiano.

Teoremas

Vejamos os principais teoremas para os logaritmos:

Nas citações abaixo, consideremos f(x)=ln⁡x,

T36 - Produto

ln⁡a⋅b=ln⁡a + ln⁡b

Comprovação:

Da definição:

∫1ab1udu

∫1a1udu+∫aab1udu

fazendo u=at,du=adt e quando u=a,t=1:

∫1a1udu+∫1b1atadt

∫1a1udu+∫1b1tdt

O que comprova o teorema.

T37 - Razão

ln⁡ab=ln⁡a − ln⁡b

Comprovação:

Sendo a=ab⋅b:

ln⁡a=ln⁡ab⋅b

ln⁡a=ln⁡ab+ln⁡b

logo:

ln⁡ab=ln⁡a−ln⁡b

T38 - Potência

ln⁡ab=b⋅ln⁡a

Comprovação:

Sendo:

ln⁡ab=ln⁡(a⋅a⋅a⋅a⋅a⋅a⋅a⋅a…) -> b vezes, que é:

ln⁡ab=ln⁡a+ln⁡a+ln⁡a+ln⁡a+ln⁡a+ln⁡a+ln⁡a+ln⁡a…) -> b vezes, resultando:

ln⁡ab=b⋅ln⁡a

Derivadas

Da definição do logarítmo natural e a partir do [[../Integrais#Teorema fundamental do cálculo|teorema fundamental do cálculo]], podemos deduzir a derivada da função logarítmica natural, ou seja, se f(x)=ln⁡x que é a integral definida de 1x, então a derivada é:

df(x)dx=1x

Integrais

Para integração de funções logarítmicas, veja o capítulo de [[../Técnicas de integração|técnicas de integração]], para uma completa abordagem do tema.


Exponenciais

A função f(x)=ax é chamada de função exponencial na base a, todas as funções exponenciais são introduzidas a partir da definição do logaritmo natural ln x como sua função inversa. As funções exponenciais são estas em que a parte variável é o logaritmo, ou seja:

Se logab=x

então:

ax=b

O que implica b=f(x), tornando-o uma função, na qual podemos atribuir valores a x e obter uma imagem. O número a é chamado base, este número é facilmente identificado nos logaritmos convencionalmente abordados na matemática elementar, mas qual é a base da função ln⁡x ?

Esta questão nos leva a um novo conceito abordado na próxima seção, o número de Euler.

O número de Euler

A base do logarítmo natural é o número de Euler, simbolizado por: e, ele é obtido pela definição do logaritmo natural, esse número corresponde á área sob a curva da função: f(x)=1x, quando seu valor é unitário, ou seja:

ln⁡e=1,

mais formalmente:

∫1e1xdx=1

O valor deste número pode ser encontrado por aproximação, utilizando-se os métodos de análise de seqûencias e séries, encontrados no livro: Cálculo (Volume 3).

A equação que fornece o valor do número de Euler é dada a seguir:

e=limn→∞(1+1n)n

Nesta equação podemos observar que quanto mais alto o valor de n mais preciso se torna o valor de e.

De maneira simplificada, com base nos conceitos até agora abordados podemos encontrá-la da seguinte maneira:

Se f(x)=ln⁡x então f ′(x)=1x, logo: f ′(1)=1

Por outro lado, pela definição:

f ′(x)=limα→0ln⁡(x+α)−ln⁡xα

Para f ′(1)=1:

1=limα→0ln⁡(1+α)−ln⁡1α

1=limα→0ln⁡(1+α)α

1=limα→01αln⁡(1+α)

1=limα→0ln⁡(1+α)1α

e=limα→0(1+α)1α

Sendo: α=1n e limα→0α=limn→∞1n

Concluimos que:

e=limn→∞(1+1n)n

Teoremas

A maioria dos teoremas relacionados, têm origem nas conclusões obtidas no estudo do logarítmo natural, dos quais relacionamos os mais usados:

T39 - Soma

Seja a função f(x,y)=ex+y, pode-se afirmar que:

f(x,y)=ex⋅ey

Comprovação:

Considerando: x=ln⁡ a e y=ln⁡ b,

x+y=ln⁡ a + ln⁡ b

x+y=ln⁡ ab

logo:

ex+y=eln⁡ ab

ex+y=ab

sendo: a=ex e b=ey,

ex+y=ex⋅ey

O que comprova o teorema.

T40 - Subtração

De forma similar à análise anterior, sendo a função f(x,y)=ex−y, pode-se afirmar que:

f(x,y)=exey

Comprovação:

Considerando: x=ln⁡ a e y=ln⁡ b,

x−y=ln⁡ a − ln⁡ b

x−y=ln⁡ ab

logo:

ex−y=eln⁡ab

ex−y=ab

sendo: a=ex e b=ey,

ex−y=exey

O que comprova o teorema.

T41 - Potência

Seja a função f(x,y)=(ex)y, pode-se afirmar que:

f(x,y)=exy

Comprovação:

f(x,y)=(ex)y

f(x,y)=eln⁡(ex)y

f(x,y)=ey⋅ln⁡(ex)

f(x,y)=ey⋅x

O que comprova o teorema.

Derivadas

Consideremos que f(x)=ex, e conseqüentemente: x=ln⁡f(x), se derivarmos implicitamente este expressão:

dx=1f(x)df(x)

Curiosamente, teremos:

f(x)=df(x)dx

f(x)=f ′(x)

Ou seja, a função exponencial natural é invariável durante o processo de derivação, o que traz uma série de implicações simplificadoras para estas funções.

Por outro lado se f(x)=ax, temos que:

a=eln⁡a

Fazendo u=x⋅ln⁡a e f(x)=eu, teremos:

f ′(x)=eu⋅dudx

Se dudx=ln⁡a, concluimos que:

f ′(x)=ax⋅ln⁡a

Que é adotada como uma derivada mais genérica, pois pode ser empregada em qualquer exponencial, pois inclui correção para o fator da base.

Integrais

Como não poderia ser diferente, o valor da integral da função exponencial natural f(x)=ex é a própria função, conforme a regra da reversibilidade entre a derivada e a integral, apenas sendo necessária a devida observação da base, para eventual correção da diferencial e conseqüente introdução de fator de correção, nos casos em que a função torna-se composta.

Desta forma, temos:

∫exdx=ex+C, 

Sendo C constante.


Logarítmicas com outras bases

Como foi visto durante o ensino médio, os logaritmos têm uma definição direta e que denota a sua finalidade de expressar o valor do expoente em uma operação exponencial, a definição pura é dada da seguinte forma:

Se x=an então,

logax=n

Onde: a é chamada base do logaritmo, x é o logaritmando e n é o expoente.

O logaritmo é, portanto, a operação pela qual se obtém o expoente necessário para que a base seja elevada, numa operação exponencial e se obtenha o número x.

A função logarítmica de base a pode ser expressa da seguinte forma:

f(x)=logax

O que nos possibilita encontrar um valor para cada x expresso na equação.

Mudança de base

Analisemos agora a possibilidade de encontrar uma função logarítmica de uma base a e transformá-la em uma função logarítmica de base natural, ou outra base qualquer:

Seja a função y=logax, podemos dizer que:

x=eln⁡x e que a=eln⁡a,

como: x=ay,

x=(eln⁡a)y,

x=ey⋅ln⁡a,

ln⁡x=y⋅ln⁡a,

O que nos possibilita afirmar que:

y=ln⁡xln⁡a,

ou

logax=ln⁡xln⁡a.

Note que a analogia serve para funções logarítmicas de qualquer base, visto que podemos substituir ln⁡x por logzx sendo z a base que substituirá e na análise anterior.

O que nos possibilita considerar que quando temos duas bases, sejam: a e b, podemos promover a troca das bases, de forma que:

logax=logbxlogba

Derivadas

A derivada da função logarítmica com base diferente de e pode ser feita por substituição da base. Considerando f(x)=logax, temos que:

logax=1ln⁡a⋅ln⁡x,

f(x)=1ln⁡a⋅ln⁡x,

logo:

f ′(x)=d(1ln⁡a⋅ln⁡x)dx

f ′(x)=1ln⁡a⋅d(ln⁡x)dx

f ′(x)=1ln⁡a⋅1x

Que nos dá a derivada:

f ′(x)=1x⋅ln⁡a

Trigonométricas I

A trigonometria, tal qual vista na matemática elementar, está relacionada com as relações métricas do triângulo retângulo e do ciclo trigonométrico, agora introduziremos o estudo infinitesimal das funções trigonométricas que são largamente utilizadas nas ciências exatas.

Conceitos básicos (Radianos)

Em um plano definido pelos eixos x e y podemos estabelecer coordenadas cartesianas para cada ponto, o que nos permite identificar cada um dos pontos em qualquer posição do plano, existe outra maneira de encontrar um ponto neste plano; se quisermos estabelecer uma relação triangular podemos determinar a posição de cada ponto no plano da seguinte forma:

Figura 5

Imagine que cada ponto está numa distãncia R do ponto (0,0) em um plano cartesiano definido por pontos (x,y), da mesma forma a reta R, que é definida entre os pontos (0,0)→(x,y), forma um ângulo com o eixo x, que chamaremos de α, note que podemos identificar qualquer dos pontos no plano a partir de uma reta R e um ângulo α.

Observemos que R, quando fixa, é uma reta que determina um conjunto de pontos em torno do ponto (0,0), se fizermos α variar em todos os valores possíveis teremos uma circunferência. Quando fazemos o valor de R variar teremos diferentes valores de x e y, porém a relação entre eles sempre será a mesma.

Curiosamente, há uma relação entre o perímetro do círculo e o seu diâmetro, ela se apresenta constante qualquer que seja o raio do círculo; o resultado desta relação é um número transcedental chamado PI, representado pela letra grega de mesmo nome: π. Resgatando esta relação para a nossa análise podemos dizer que, se chamarmos o perímetro da circunferência, formada no gráfico, de l e admitirmos um diâmetro de 2R, então teremos:

l2R=π

Que resulta em:

l=2πR

Que é uma relação bastante esclarecedora, visto que nos mostra uma dependência linear entre o raio e o comprimento de um fio imaginário que pudesse ser usado para seguir o contorno da circunferência do gráfico. Se o raio for unitário teremos um valor de referência para l, que poderá ser usado para encontrar qualquer comprimento de circunferência no gráfico, bastando para isto multiplicá-lo pelo raio, este valor de referência está ligado à circunferência fechada. Por outro lado, se fizermos com que R se desloque de um ângulo nulo, ou seja, que saia do eixo x em direção a y, formando um ângulo α, teremos pedaços de circunferência, que chamamos de arcos, considerando que temos um raio unitário e que percorremos um pedaço da circunferência para cada ângulo "α" que tomamos, temos uma correspondência entre ângulo e arco, ou seja: podemos nos referir a arcos como unidades de ângulos, esta unidade angular é chamada de Radiano. Qualquer círculo forma 2π radianos e todas as relações entre os pontos da circunferência que o contorna e os eixos cartesianos podem ser referenciadas como relações entre partes desta medida.

Como o radiano é uma medida real, isto nos leva a outra questão: O que determina o sinal negativo ou positivo neste valor?

Acontece uma variação destes valores quando nos deslocamos de um ponto a outro da circunferência, quando saimos do eixo x em direção ao ponto P1 o ângulo cresce, portanto temos que concluir que é positivo, recuando-o ao encontro do eixo x os valores diminuem, portanto se ultrapassarmos o eixo x o valor deve ser menor que zero, nos revelando um ângulo negativo.

Seno e cosseno

Temos, portanto, uma circunferência dentro do plano cartesiano e seus pontos relacionados ao raio R e ao ângulo α, são referenciados pelas variáveis x e y no mesmo plano, agora imaginemos funções para que seja possível a partir do raio e do ângulo encontrar as variáveis, estas funções são o seno e o cosseno.

A função seno, simbolizada como:

 sen(α)

Nos dá o valor da variável y, ou seja, a altura do ponto em relação ao zero referencial, no encontro dos eixos, conforme espelhada no eixo y, quando o raio R é unitário, caso não seja fazemos y=R sen(α).

A função cosseno, simbolizada como:

cos⁡(α)

Nos dá o valor da variável x, ou seja, a distância do ponto em relação ao zero referencial, no encontro dos eixos, conforme espelhada no eixo xquando o raio R é unitário, caso não seja fazemos x=Rcos⁡(α).

As funções seno e cosseno são periódicas, ou seja, pela natureza do ciclo trigonométrico, quando temos um valor em x maior que 2π temos a representação de um ciclo completo mais um ângulo residual, na verdade o valor representa este ângulo residual, o que nos leva a constatação que sempre será calculado o valor do seno ou cosseno do resto da operação x2π quando um ângulo maior que 2π for sugerido para x.

Predefinição:Aviso

Alguns valores de senos e cossenos de certos arcos são perfeitamente dedutíveis através da observação do ciclo, são eles:

Senos e cossenos notáveis
Ângulo 0 π2 π 3π2
 sen(x) 0 1 0 -1
cos⁡(x) 1 0 -1 0

Observando o gráfico podemos também concluir que o sinal do seno é idêntico ao sinal do ângulo, enquanto que o cosseno não acompanha o sinal do ângulo, de forma que cossenos de ângulos negativos são iguais a cossenos dos valores absolutos dos ângulos, ou seja:

sendo a>0,

 sen(−a)=− sen(a)

enquanto que:

cos⁡(−a)=cos⁡(a)

Outros senos e cossenos podem ser obtidos pelas relações métricas no triângulo e são largamente utilizados, são:

Senos e cossenos mais comuns
Ângulo π6 π4 π3 2π3 3π4 5π6 7π6 5π4 4π3 5π3 7π4 11π6
 sen(x) 12 22 32 32 22 12 −12 −22 −32 −32 −22 −12
cos⁡(x) 32 22 12 −12 −22 −32 −32 −22 −12 12 22 32

Identidades (1)

As equações desta seção são conseqüência das características dos senos e cossenos, seu comportamento cíclico e sua relação com uma circunferência de raio unitário lhes conferem uma excelente operatividade, possibilitando-nos fácil intercâmbio entre as mesmas.

I-1 Identidade relacional básica

As funções seno e cosseno estão relacionadas pela equação:

sen2(a)+cos2(a)=1

Comprovação:

Observando o ciclo trigonométrico, temos um triângulo cujos catetos são:  sen(a) e cos⁡(a) e sua hipotenusa é 1, portanto a identidade é conseqüente do conhecido teorema de Pitágoras.

I-2 Cosseno da soma

Sejam os ângulos a e b, o cosseno de sua soma é[1]:

cos⁡(a+b)=cos⁡(a)cos⁡(b)− sen(a) sen(b)

Comprovação:

Nos pontos A e B do ciclo trigonométrico, temos os arcos para os ângulos a e b:

Figura 6

A distância entre os pontos P e (A+B) é igual à distância entre -A e B, o quadrado das duas é:

[cos⁡(a+b)−1]2+sen2(a+b)=[cos⁡(b)−cos⁡(−a)]2+[ sen(b)− sen(−a)]2

Da identidade básica:

cos2(a+b)−2cos⁡(a+b)+1+sen2(a+b)=cos2(b)−2cos⁡(−a)cos⁡(b)+cos2(−a)+sen2(b)−2 sen(−a) sen(b)+sen2(−a)

cos2(a+b)−2cos⁡(a+b)+1+1−cos2(a+b)=cos2(b)−2cos⁡(−a)cos⁡(b)+cos2(−a)+sen2(b)−2 sen(−a) sen(b)+sen2(−a)

−2cos⁡(a+b)+1+1=[cos2(b)+sen2(b)]−2cos⁡(−a)cos⁡(b)+[cos2(−a)+sen2(−a)]−2 sen(−a) sen(b)

−2cos⁡(a+b)+2=1−2cos⁡(−a)cos⁡(b)+1−2 sen(−a) sen(b)

−2cos⁡(a+b)=−2cos⁡(−a)cos⁡(b)−2 sen(−a) sen(b)

cos⁡(a+b)=cos⁡(−a)cos⁡(b)+ sen(−a) sen(b)

Como  sen(−a)=− sen(a) e cos⁡(−a)=cos⁡(a) :

cos⁡(a+b)=cos⁡(a)cos⁡(b)− sen(a) sen(b)

O que comprova a identidade.

I-3 Cosseno da diferença

Sejam os ângulos a e b, o cosseno de sua diferença é[2]:

cos⁡(a−b)=cos⁡(a)cos⁡(b)+ sen(a) sen(b)

Comprovação:

Do cosseno da soma:

cos⁡(a+b)=cos⁡(a)cos⁡(b)− sen(a) sen(b)

Substituindo b por -b:

cos⁡(a+(−b))=cos⁡(a)cos⁡(−b)− sen(a) sen(−b)

cos⁡(a−b)=cos⁡(a)cos⁡(b)+ sen(a) sen(b)

O que comprova a identidade.

I-4 Equivalência angular

Se o ângulo a é π2 e b é x, então:

cos⁡(π2−x)=cos⁡(π2)cos⁡(x)+ sen(π2) sen(x)

cos⁡(π2−x)=0+1⋅ sen(x)

logo:

cos⁡(π2−x)= sen(x)

Por outro lado, se:

y=(π2−x) e

x=(π2−y), obtemos:

 sen(π2−y)=cos⁡(y)

I-5 Seno da soma

Sejam os ângulos a e b, o seno de sua soma é[3]:

 sen(a+b)= sen(a)cos⁡(b)+ sen(b)cos⁡(a)

Comprovação:

Sendo cos⁡(a+b)=cos⁡(a)cos⁡(b)− sen(a) sen(b) e cos⁡[π2−(a+b)]= sen(a+b), temos:

 sen(a+b)=cos⁡[π2−(a+b)]

 sen(a+b)=cos⁡[(π2−a)−b]

 sen(a+b)=cos⁡(π2−a)cos⁡(b)+ sen(π2−a) sen(b)

 sen(a+b)= sen(a)cos⁡(b)+ sen(b)cos⁡(a)

O que comprova a identidade.

I-6 Seno da diferença

Sejam os ângulos a e b, o seno de sua diferença é[1]:

 sen(a−b)= sen(a)cos⁡(b)− sen(b)cos⁡(a)

Comprovação:

Se  sen(a+b)= sen(a)cos⁡(b)+ sen(b)cos⁡(a),

Substituindo b por -b, temos:

 sen(a−b)= sen(a)cos⁡(−b)+ sen(−b)cos⁡(a)

e  sen(−b)=− sen(b) enquanto que cos⁡(−b)=cos⁡(b), logo:

 sen(a−b)= sen(a)cos⁡(b)− sen(b)cos⁡(a)

O que comprova a identidade.

I-7 Produto de dois senos

Sejam os ângulos a e b, o produto de seus senos é[4]:

 sen(a) sen(b)=12⋅[cos⁡(a−b)−cos⁡(a+b)]

Comprovação:

Considerando a identidade do cosseno da diferença de dois ângulos e subtraindo de cada um de seus membros os membros correspondentes da identidade do cosseno da soma de dois ângulos:

cos⁡(a−b)= cos⁡(a)cos⁡(b)+sen(a) sen(b)−cos⁡(a+b)= cos⁡(a)cos⁡(b)−sen(a) sen(b)cos⁡(a−b)−cos⁡(a+b)=2 sen(a) sen(b)

O que comprova a identidade.

I-8 Produto de dois cossenos

Sejam os ângulos a e b, o produto de seus cossenos é[5]:

cos⁡(a)cos⁡(b)=12⋅[cos⁡(a+b)+cos⁡(a−b)]

Comprovação:

Considerando a identidade do cosseno da soma de dois ângulos e somando a cada um de seus membros os membros correspondentes da identidade do cosseno da diferença de dois ângulos:

cos⁡(a+b)= cos⁡(a)cos⁡(b)−sen(a) sen(b)+cos⁡(a−b)= cos⁡(a)cos⁡(b)+sen(a) sen(b)cos⁡(a+b)+cos⁡(a−b)=+2 cos(a) cos(b)

O que comprova a identidade.

I-9 Produto de seno e cosseno

Sejam os ângulos a e b, o produto do seno de a pelo cosseno de b é[6]:

 sen(a)cos⁡(b)=12⋅[ sen(a+b)+ sen(a−b)]

Comprovação:

Considerando a identidade do seno da soma de dois ângulos e somando a cada um de seus membros os membros correspondentes da identidade do seno da diferença de dois ângulos:

 sen(a+b)= sen(a)cos⁡(b)+cos⁡(a) sen(b)+ sen(a−b)= sen(a)cos⁡(b)−cos⁡(a) sen(b) sen(a+b)+ sen(a−b)=2 sen(a)cos⁡(b)

O que comprova a identidade.

I-10 Soma de dois senos

Sejam os ângulos p e q, a soma dos senos de p e de q é:

 sen(p)+ sen(q)=2 sen(p+q2)cos⁡(p−q2)

Comprovação:

Podemos dizer que:

{a+b=p+a−b=q2a=p+qa=p+q2;b=p−q2

substituindo na identidade:

 sen(a+b)+ sen(a−b)=2 sen(a)cos⁡(b) sen(p)+ sen(q)=2 sen(p+q2)cos⁡(p−q2)

O que comprova a identidade.

I-11 Soma de dois cossenos

Sejam os ângulos p e q, a soma dos cossenos de p e de q é:

cos⁡(p)+cos⁡(q)=2cos⁡(p+q2)cos⁡(p−q2)

Comprovação:

Seguindo a analogia anterior:

cos⁡(a+b)+cos⁡(a−b)=2cos⁡(a)cos⁡(b)cos⁡(p)+cos⁡(q)=2cos⁡(p+q2)cos⁡(p−q2)

O que comprova a identidade.

I-12 Diferença de dois senos

Sejam os ângulos p e q, a diferença dos senos de p e de q é:

 sen(p)− sen(q)=2cos⁡(p+q2) sen(p−q2)

Comprovação:

substituindo q por -q em:

 sen(p)+ sen(q)=2 sen(p+q2)cos⁡(p−q2) sen(p)+ sen(−q)=2 sen(p−q2)cos⁡(p+q2)

O que comprova a identidade.

I-13 Diferença de dois cossenos

Sejam os ângulos p e q, a diferença dos cossenos de p e de q é:

cos⁡(p)−cos⁡(q)=−2cos⁡(p+q2)cos⁡(p−q2)

Comprovação:

substituimos q e q, por p+q2 e p−q2 em:

cos⁡(a−b)−cos⁡(a+b)=2cos⁡(a)cos⁡(b)cos⁡(q)−cos⁡(p)=2cos⁡(p+q2)cos⁡(p−q2)cos⁡(p)−cos⁡(q)=−2cos⁡(p+q2)cos⁡(p−q2)

O que comprova a identidade.

Limíte trigonométrico fundamental

Precisaremos de um limite fundamental nas próximas seções, se trata de um limite que é utilizado na dedução das derivadas do seno e do cosseno, faremos sua dedução nesta seção. Considere o ciclo trigonométrico representado a seguir:

Ficheiro:Limite sen.png

Figura 7

A figura 7 mostra a representação de um ângulo α no ciclo trigonométrico, o nosso propósito é deduzir o seguinte limite:

limα→0 sen(α)α

Para isto, imagine o triângulo inscrito na circunferência, podemos dizer que o segmento de reta n é uma aproximação grosseira do arco α, porém observe que quando o ângulo se aproxima de zero o segmento se torna mais parecido com o respectivo ângulo, algébricamente podemos expressar que:

limα→01α=limn→01n

Por outro lado façamos o cálculo do valor do n; observando o triângulo podemos dizer que:

n2=sen2(α)+[1−cos⁡(α)]2

n2=2[1−cos⁡(α)]

Logo:

cos(α)=(1−n22)

1−sen2(α)=(1−n22)2

Simplificando temos:

 sen(α)=n[1−n24]12

Voltando para o nosso limite, temos que usar as nossas equações anteriores desta forma:

[limα→01α=limn→01n]⋅ sen(α)

limα→0 sen(α)α=limn→0 sen(α)n

Substituindo o valor do seno no lado da equação relaciondado ao n, teremos:

limα→0 sen(α)α=limn→0[1−n24]12

O que nos leva ao resultado:

limα→0 sen(α)α=1

A interpretação desse limite é a seguinte:

Uma vez que o ângulo diminui até valores próximos de zero e o arco tende a se assemelhar a uma reta em regiões próximas do zero, o valor do seno é igual ao valor do arco no limite, quando o seu valor se aproxima de ser nulo.

Derivada do seno

Agora podemos verificar qual a variação da função seno em relação ao seu ângulo, aplicando a definição da derivada ao seno, temos:

f(x)= sen(x)

f ′(x)=limh→0 sen(x+h)− sen(x)h

Aplicando o seno da soma:

f ′(x)=limh→0 sen(x)cos⁡(h)+ sen(h)cos⁡(x)− sen(x)h

f ′(x)=limh→0 sen(x)cos⁡(h)h+limh→0 sen(h)cos⁡(x)h−limh→0 sen(x)h

Aplicando os limites:

f ′(x)=limh→0 sen(h)hcos⁡(x)

Temos, então, o limite fundamental que é igual a 1, logo:

f ′(x)=cos⁡(x)

Derivada do cosseno

Também podemos verificar qual a variação da função cosseno em relação ao seu ângulo, aplicando a definição da derivada ao cosseno, temos:

f(x)=cos⁡(x)

f ′(x)=limh→0cos⁡(x+h)−cos⁡(x)h

Aplicando o seno da soma:

f ′(x)=limh→0cos⁡(x)cos⁡(h)− sen(x) sen(h)−cos⁡(x)h

f ′(x)=limh→0cos⁡(x)cos⁡(h)h−limh→0 sen(x) sen(h)h−limh→0cos⁡(x)h

Aplicando os limites:

f ′(x)=limh→0− sen(h)h sen(x)

Novamente temos o limite fundamental, logo:

f ′(x)=− sen(x)

Integral do seno

Como conseqüência do resultado da derivada do seno, podemos deduzir que a sua integral, como operação inversa é:

∫ sen(x)dx=−cos⁡(x)+C

Cuja constante C é a constante devido a indefinição no processo de antidiferenciação, conforme já estudamos anteriormente.

Integral do cosseno

Segundo o mesmo princípio colocado no caso da integral do seno, podemos afirmar que a operação de integração do cosseno é definida por:

∫cos⁡(x)dx= sen(x)+C

Cuja constante C é a constante devido a indefinição no processo de antidiferenciação

Predefinição:Indentar/fim

Notas

  1. ↑ 1,0 1,1 Ver também no Wolfram Alpha
  2. ↑ Ver também no Wolfram Alpha
  3. ↑ Ver também no Wolfram Alpha
  4. ↑ Ver também no Wolfram Alpha
  5. ↑ Ver também no Wolfram Alpha
  6. ↑ Ver também no Wolfram Alpha

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