Análise real/Equivalências entre corpos ordenados arquimedianos

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Definição (partição)

(A1,A2,...,An) é partição de Ω se, Ω=⋃i=1nAi e Ai∩Aj=∅, se i≠j.

Definição (Seqüências de Cauchy)

Uma seqüência (xn)n∈ℕ em 𝕂 é dita de Cauchy se, dado ϵ>0, ∃n0∈ℕ tal que, se n,m>n0 então |xn−xm|<ϵ.

Definição (conjunto fechado em 𝕂)

Um conjunto F⊂𝕂 é dito fechado se o limite de toda sequência de pontos de F é ponto de F.

Definição (conjunto conexo)

𝕂 é dito conexo se 𝕂 e ∅ são os únicos subconjuntos abertos e fechados de𝕂

Teorema

Seja 𝕂 um corpo ordenado arquimediano. Em 𝕂 são equivalentes:


1[1'] Toda seqüência crescente [decrescente] limitada superiormente [inferiormente] de 𝕂 é convergente;

2[2']) Todo subconjunto A⊂𝕂 não-vazio limitado superiormente [inferiormente] tem supremo [ínfimo];

3[3']) Seja F⊂𝕂 um conjunto fechado limitado superiormente [inferiormente], então, F tem máximo e mínimo;

4)𝕂 é conexo.

5) (Postulado de Dedekind) Dada uma partição (A,B) de𝕂, com a<b, para todo a∈A, e b∈B, isto é (A,B) é um corte de Dedekind, então, em A existe maior elemento, ou, em B, existe menor elemento.

6) (Propriedade dos intervalos encaixantes) Toda seqüência de intervalos encaixantes, fechados e limitados tem intersecção não-vazia. Isto é, seja ([an,bn])n∈ℕ uma seqüência de intervalos, satisfazendo [an+2,bn+2]⊂[an+1,bn+1]⊂[an,bn]⊂...⊂[a1,b1]⊂[a0,b0], para todo n∈ℕ, então ⋂n∈ℕ[an,bn]≠∅.

7)𝕂 é seqüêncialmente completo, isto é, se (x_n)_{n \in \mathbb{N}} é uma seqüência em 𝕂 de Cauchy então (x_n) é convergente.

Demonstração

As equivalências N⇔N′ são evidentes e serão deixadas como exercício.

1) ⇒ 2)

Seja A nas condições de 2), vamos mostrar que A tem supremo.

Como A ≠∅, podemos pegar a0∈Ae como A é limitado superiormente, existe b0∈𝕂majorante de A.

Seja c1=(a0+b0)/2, se c1for majorante de A, então definimos b1=c1, e a1=a0 e caso c0 não seja majorante de A, definimos a1=c1 e b1=b0.

Suponha que ak−1 e bk−1 estejam definidas, ck=(ak−1+bk−1)/2, se ck for majorante de A, então definimos bk=ck, e ak=ak−1 e caso ck não seja majorante de A, definimos ak=ck e bk=bk−1.

Definimos duas seqüências (an)n∈ℕ e (bn)n∈ℕ que formam, respectivamente, uma seqüência monótona não-decrescente e uma seqüência monótona não-crescente. Claramente a0 é um limitante inferior de (bn) e b0 é um limitante superior de (an), e por '1), concluimos que ambas seqüências são convergentes.

Sejam a=lim⁡an e b=lim⁡bn.

Suponha, por absurdo que a>b, então a−b>0, tomando ϵ=a−b, como (an)→, existe n0∈ℕ tal que a−ϵ<an0<a+ϵ⇒a−(a−b)<an0<a+(a−b)⇒b<an0. Portanto b−an0>0, como (bn)→b, definindo ϵ′=b−an0, existe n1∈ℕ tal que, b−ϵ<bn1<b+ϵ⇒b−(b−an0)<bn1<b+(b−an0)⇒an0<bn1. Absurdo, pois isso contradiz nossa construção de (an) e (bn).

Por construção, temos an≤a≤b≤bn para todo n natural.

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